PSDB ou UDN?
Mesmo tendo a clara compreensão que a História não se repete, ficam cada vez mais evidentes as investidas golpistas de boa parte da elite brasileira, do PSDB e de uma fatia considerável da imprensa contra o Partido dos Trabalhadores, o que desperta a lembrança dos ataques virulentos da UDN contra Vargas.
As táticas utilizadas pelo PSDB e seus asseclas são baseadas em denuncismos e a proliferação desses atos se dá mediante a colaboração da grande imprensa: jornais, revistas, emissoras de rádio e de TV. Não há que se desejar que o silêncio e a omissão de órgãos de comunicação terminem por colaborar para o não esclarecimento de fatos considerados delituosos, mas faz-se indispensável um comportamento mais isento possível em relação às análises de notícias consideradas importantes para a sociedade brasileira.
Desde a divulgação do chamado "mensalão" que a oposição tenta derrubar o governo do PT. Cogitou-se até o impeachment de Lula. Não conseguiram e ele se reelegeu. Vazamentos de documentos da Polícia Federal, supostos dossiês, o alarde das Organizações Globo e da Veja, tudo com um único objetivo: derrubar o presidente.
O Brasil manteve-se equilibrado, apesar da crise internacional, os empregos continuaram sendo gerados e a crise política amainou-se. O caminho para a eleição de Dilma estava consolidado. Não restou outra coisa aos adversários, aí já figurando Marina Silva, que não fosem ataques conservadores e falsos discursos como o que afirmava ser Dilma a favor do aborto. Os temas passaram a girar em torno dos bons costumes, da religião e da manutenção da família tradicional. O resultado foi a vitória de Dilma, a única que demonstrava ter projetos para governar o Brasil.
Nesse pleito atual voltam os ataques de toda sorte. Ao PT não há espaço para que sejam questionados o "Mensalão do DEM", a "Lista de Furnas", o metrô de São Paulo, os aeroportos de Aécio, a cocaína no helicóptero de Perrela e, por fim, os mistérios que envolvem o avião utilizado por Marina e Eduardo Campos durante a campanha. Por falar em Marina, ela sequer consegue prestar sua declaração de bens sem ter que retificá-la depois.
O discurso anticomunista foi utilizado em manifestações da elite, demonstrava-se até um saudosismo do regime militar. Esse sentimento golpista foi muito utilizado pelo líder da UDN, Carlos Lacerda, nas eleições de 1950, em pronunciamento à imprensa: "Uma vitória do brigadeiro não dividiria senão pacificamente a nação. Não há inimigos, aí, há unicamente adversários. Uma vitória do sr. Getúlio Vargas seria [...] a divisão do Brasil em duas partes: a parte dos que aclamariam a volta da traição, até que se desenganassem tardiamente, e a parte, também numerosa, dos que não se conformariam com essa situação - e iriam às armas, e impediriam pelas armas se necessário, a volta do sr. Getúlio Vargas ao poder" (MENDONÇA, Marina Gusmão de. Op. Cit., p.115. ). Vale lembrar que a Rádio Globo sempre deu amplo espaço para as ofensivas de Lacerda, assim como o jornal.
Em relação à política externa, as semelhanças entre UDN e PSDB são interessantes. A UDN discordava em relação ao refino e a distribuição do Petróleo, defendia uma maior dependência da Petrobrás em relação ao capital estrangeiro. Outro caso emblemático foi a denúncia, em abril de 1954, do suposto "Pacto ABC" (Argentina, Brasil e Chile). Seria um bloco de oposição aos Estados Unidos, fato fortemente combatido pela UDN. Vale ressaltar que essa denúncia não tinha base concreta.
Mesmo com toda comoção popular com a morte de Vargas, Lacerda cooptou os eleitores antigetulistas e conseguiu se eleger deputado federal na capital do Brasil.
Aécio, mesmo tendo o seu partido todos os benefícios da imprensa, demorou para se consolidar como candidato forte da oposição. Agora é a hora do "vamos ver", o PSDB tem a mídia burguesa ao lado, mas não vejo algum orador como Carlos Lacerda. Ao contrário, para Dilma e o PT é melhor que Fernando Henrique continue falando, pois termina sendo o grande cabo eleitoral de Dilma.